A todos os ontens

Sempre gosto de falar sobre relacionamentos humanos. Principalmente de como conseguimos foder com tudo o que nos importamos por 2 ou 3 anos em 2 ou 3 dias. Ou seja, do que eu faço com os meus relacionamentos.

Percebo agora que vinha cometendo um grande engano: enquanto me lamentava da última tragédia que acontecia em minhas relações, estava, ao fazê-lo, trabalhando para estragar o presente relacionamento que, apesar de me fazer bem, era posto sob a sombra do anterior, que fora perdido.

E o ciclo se repetia.

Portanto, tomei uma decisão: deixar aqui registrada a minha solene gratidão a todas as pessoas e experiências que tive até hoje (e o meu eterno carinho) e deixar meu mundo seguir adiante.

Você, não-presença na minha vida, será elevado à máxima categoria de ideal e repousará (talvez não eternamente) nos Elísios das lembranças. Interagirei com seus perfis de mídia social, acenarei na rua e só. Dedicarei-me àqueles que ainda, por milagre do acaso, encontram-se presentes em meu mundo, sem ter minha atenção desviada para as estações passadas.

Caso eu ainda faça parte do seu mundo, por favor, me comunique. Meu coração tem dois átrios para distribuir amor, mas também possui dois ventrículos, para recebê-lo. Não é preciso muito pra chegar lá: um abraço e um convite pra dois chopp e a gente tá sussa. Ressuscita até pau de velho.

Até (muito) mais o/


Superfriends

Já me disseram, mas agora eu aceito. Não sirvo pra ser amigo de ninguém.

Eu sempre tento e falho miseravelmente nos pormenores. Na linha tênue entre ser sarcástico e ser grosseiro; entre os dez segundos que separam uma conversa entre amigos distantes e o cumprimento da obrigação social; entre a sinceridade necessária à amizade e a secura de alguém mesquinho que usa as informações que tem para propósitos vingativos.

A verdade é que sou narcisista, mas ainda assim me sinto mal em pensar em todas as possíveis amizades que não continuaram, ou mesmo não chegaram a se tornar tudo o que poderiam ser. Razões para isso se devem principalmente a minha completa falta de empatia para com os outros: esqueço o celular em um comodo da casa no meio de uma conversa do whatsapp; apesar de ver que alguém está triste, prefiro não perguntar o que acontece e começar qualquer outra conversa.

Prefiro deixar as coisas rasas, já que manter uma amizade muito me desgasta. Me falta paciência pra ter meias palavras, usar a internet com constância ou ficar usando o celular a todo instante. Não sou bom com conversas à distância e não sou maduro quando mais preciso ser. Melhor desistir disso e ficar na minha, vendo House e jogando qualquer coisa no PC. Mas isso me mata aos poucos.

Entro em qualquer das minhas redes sociais em busca de conforto e só acho mais agonia. Vejo todos os que já abandonei e que me abandonaram, não consigo pensar em qualquer assunto para começar uma conversa com um não tão aleatório assim e acabo deixando pra lá. Claramente sou doente, mas o que se há de fazer? Vou ficar com meu egoísmo e com minha culpa até o fim dos meus dias como eu sou. Já disse Brian Molko “There’s nothing here, but what’s here’s mine.”


Fúria Louca e o Thrash Metal maranhense

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Não. Eu não sou louco. Eu sei que a Fúria Louca é uma banda de Hard Rock, com um pé (bem grande, diga-se de passagem) no Heavy Metal.

Antes de começar, gostaria de dizer que sou um dos maiores fãs da banda. Digo isso porque sempre fui tiete dos shows da Fúria sem conhecer nenhum dos integrantes da banda (o que em São Luís é uma coisa dificílima). Isso mudou recentemente com a entrada do Ronaldo na bateria, mas a minha admiração por eles data de muito antes.

Enfim, vamos ao ponto: o que a Fúria Louca tem a ver com o Thrash Metal maranhense?

No princípio era o Metal Tribute: o maior evento de metal maranhense da minha adolescência. Jovens reuniam-se no saudoso Castelo do Rock ou na Studio 7 para assistir bandas consagradas do antigo metal maranhense (Brutalian, Lothus, Hatedaska, Sública, Guinever, entre outras) tocarem covers de Iron Maiden, Dio, Stratovarius, Dream Theater, Helloween e por aí vai.

Era a época “Angra” do metal maranhense: TODO MUNDO era magrelo, cabeludo e ouvia Power/Melodic/Progressive metal. Alguns poucos foram pro Thrash e aí acabava o gosto musical da galera jovem e descolada da ponte da Lagoa da Jansen.

Os anos passaram, e houve, na ilha, um resgate das bandas de um Rock’n’Roll mais puro, mais primitivo, mais apegado ao Rhythm and Blues que originou o Rock e o Heavy Metal. Assim vivenciamos uma série de estilos que germinavam dos estúdios e garagens Ludovicenses: Indie, Pop, Hard Rock, etc, claro que ainda haviam os “Thrashes” e os “Carry On”.

Então veio a terceira fase do Rock maranhense, a fase mais “profissional” e “comercializante”: as bandas começaram a gravar e divulgar (na internet e via mídia física) suas composições há tanto tempo conhecidas por nossos ouvidos. Bandas que encabeçaram esse movimento foram a Fúria Louca, Megazines e Jack Devil, cada uma representando uma vertente do rock maranhense: Hard, Indie Rock e Thrash Metal. Também haviam outras bandas com menor expressividade na área que divulgaram seu material.

Com o fim da Megazines, a vertente Indie perdeu força nos palcos Ludovicenses e novas bandas “filhas” da Fúria Louca começaram a preencher o vazio deixado. Chamo-as desta maneira porque são bandas que, apesar de boas (a maioria) em técnica e composição, possuem propostas, influências e riffs muito semelhantes aos da Fúria Louca, o que de certa forma transporta a cena do rock maranhense de volta para o princípio (aquele do Metal Tribute, lembra?). A única diferença é que agora todo mundo quer ser wild, cool, tatuado e v1d4l0k4 (lol).

Deixo registrado que essa situação NÃO FOI CRIADA PELA FÚRIA LOUCA, cujo sucesso independe de banda X ou Y. É apenas minha análise da cena rock maranhense, que está vendo o seu potencial ser diminuído pelo marasmo musical que se instala.

E o Thrash?

Pois bem, ainda há em São Luís uma banda, ou melhor A BANDA que foge a essa tendência, e como resultado, ganha mais destaque dentro e fora da Ilha do Maranhão: a Jack Devil.

Sendo a única representante expressiva daqueles que gostam não só de Hard Rock, mas de alguma coisa mais pesada, shows e composições da Jack Devil são mais aguardadas e melhor apreciadas pelo público fora do Maranhão (e até dentro). A visibilidade da banda de Thrash já desponta para fora do Brasil, como uma pepita se destaca do cascalho. Sad, but true (para as outras bandas!).

Ressalto, mais uma vez, a minha admiração pela Fúria Louca e gostaria de deixar registrado que, como fã, é muito triste ver uma música tão envolvente e bem elaborada virar “arroz com feijão” (mal feito), como diria um grande amigo meu, nas mãos de quem não quer estudar música.

Isso é tudo, pessoal o/

Curtam aí “Under the Metal Command”, do primeiro single da Jack Devil (Under the Satan Command)

http://www.youtube.com/watch?v=RIOi-RdHdpg


O Dom de João

Antes ele era só João, ou Juan, ou John, ou Doriedson, tanto faz.

Tá certo. Mas de onde vem esse título de nobreza? Ou melhor, de onde vem essa habilidade de seduzir irremediavelmente as mulheres de todas as raças, cores e credos religiosos? Duas respostas me surgem: ou você é o Thor, ou você tem o password.

Sim, o Dom de João, que na Espanha do século XVII o imortalizou como João do Dom (ou Don Juan), é o tão famoso password – combinação de palavras, atos e gestos que deixam qualquer mulher de quatro (ou na posição que você quiser). O password pode ser qualquer coisa: desde um sorriso à grossura das panturrilhas, da maneira de dizer “oi” à maneira de se ajeitar na cadeira.

No entanto, existem passwords que sempre darão certo. Pelo menos em 83% das vezes. Um deles é o compromisso.

Já disse Patrick Jane, da série “The Mentalist”, enquanto mostrava seu anel de casamento para a amiga policial: “É isto o que ganha a confiança das mulheres.” E é mesmo. Você tem barriga mole, usa óculos fundo de garrafa e usa uma camisa tosca. Mesmo assim alguma mulher deu a você um título de nobreza: um Dom. O sexo feminino, que institivamente (ou pulsionalmente?) aprecia a competição, logo vai querer descobrir o que é esse encanto (ou Dom) de João, José ou Filomeno.

Nesta ocasião, como todo bom homem compromissado, você apresentará ainda mais características que encantarão o mulherio: não vai bajular (as mulheres gostam de conquistar a bajulação. Se você chegar logo de cara dizendo que ela é linda, acabou o encanto. Elas querem que você “descubra” isso), prestará atenção na conversa e não vai ficar dizendo “uhum” enquanto pensa num jeito de beijar e passar a mão nela e, além disso, vai manter contato visual com os OLHOS dela e não com o decote (o que vai fazer com que ela use um decote ainda mais ousado, ou um short ainda mais curto pra ver se você cai em tentação). E voilá: você passou da condição de ilustre ninguém para a de “dream man”, aquele que busca a beleza interior das mulheres.

Sabe aquele comentário “Amiga, cuida bem dele. Ele é de ouro.” ? Pois é. Traduza como “Se você não tivesse achado primeiro, eu estaria com ele.” Mas as mulheres não se dão conta de que são elas que transformam os homens no “dream man” das outras.

O grande problema é quando João, Joniery ou Raniere se dão conta do poder que lhes foi atribuído. Lentamente, por uma questão de autoestima (ou de safadeza mesmo), eles vão testando seu poder com as outras mulheres. Começa com uma amizade despretensiosa, para depois passar 3 horas conversando com a outra na internet. Agora você, como 2 entre 3 mulheres, vai dizer: “Eu nunca faria isso!”. Ah, vá.

A verdade é que 2 entre 3 mulheres simplesmente adoram a sensação de poder que a situação traz – o namorado da outra está compartilhando os problemas dele com você, não com a namorada. Ele também diz que você entende ele melhor que ela. Doce ilusão, querida, o João está só usando o Dom para brincar com você.

Agora os pontos se ligam e a tragédia está formada. Começam então crises de choro, ciúme e possessão por parte da namorada, o que vai acabar estremecendo a relação e, na pior da situação, pondo um fim nela. O que fazer? Conversa civilizada é o melhor caminho. E se não der certo? Chérie, você deu o poder a ele, então pode tirar dele na hora que bem entender. Assim, ele passará de “João do Dom” para “só mais um cafajeste”. Quanto a você, João do Dom, por mais doce que possa parecer o lado negro da força, esteja ciente de que tal caminho leva a um buraco de arrependimento e melancolia.

Até mais o/


Epitáfios de Rimbaud

Acho que nós temos uma noção muito errada do que é ser feliz. Nos vendem uma imagem de plenitude constante que não existe. E ao mesmo tempo que queremos emoções novas a todo instante, construímos nossa vida de forma a sempre fazer as mesmas coisas todos os dias – trabalho estável, casamento, filhos, bens duráveis em geral. E isso não é felicidade também, segundo os nossos padrões?

É Complicado se apegar a uma noção evanescente de “exceções”, ou de “perder o fôlego” constantemente, como muito vejo nas redes sociais.

Pra mim, o problema está em nós mesmos, que somos escravos dos nossos pensamentos (ou daqueles pensamentos que nos foram impostos e que internalizamos). Ao semi-investigar a vida das pessoas que postam tais epitáfios de Rimbaud – como eu seria feliz se a vida não fosse a vida!, ou algo assim – nas redes sociais, vejo que a maioria prefere se fechar ao mundo das coisas, se enclausurar no próprio casulo e não escutar mais nada a não ser a própria voz. Vivem de pensar, e não de agir.

E quanto mais se pensa, mais se tem medo de agir, mais a angústia aumenta, mais os monstros interiores da frustração, da raiva, do arrependimento, tomam as rédeas das nossas decisões e, assim, nos vemos impotentes e pequenos frente à vastidão do mar salgado (e tem que ser salgado pra fazer as feridas arderem e se curarem!) que é a vida.

Devemos, então, parar de pensar? Impossível. Porém, não podemos deixar que os pensamentos controlem nossa vida, a ponto de nos deixar alheios à própria realidade. O melhor a se fazer é simplesmente abrir o peito e não deixar de tentar alguma coisa (mesmo a rotina) porque o pensamento fica martelando “não vai dar certo”, na cabeça.

De qualquer forma, se vivermos somente as exceções ou momentos de perder o fôlego, tais momentos se tornam menos reforçadores, pois não há um parâmetro de “dor” para nós compararmos. Ou seja, num mundo sem dor, o mais provável é a procurarmos.

Até mais o/


Coffin & Black Candle

Post relâmpago e sem revisão, depois de chegar em casa cansado e não poder dormir. Entro no twitter e vejo a seguinte postagem da Rolling Stone Brasil na minha timeline:

http://rollingstone.com.br/edicao/edicao-65/black-keys

A headline no twitter foi “‘Tem de surgir um movimento para o rock voltar’, diz vocalista do Black Keys” – banda indie que conheceu o sucesso em 2010 com o álbum “Brothers”, que foi o primeiro que conheci. O movimento indie-pseudointelectual-metido-a-underground de São Luís vai provavelmente dizer que acompanhava a trajetória da banda desde a garagem, mas devem ter tido contato com as músicas na mesma época que eu, acho. Só pensar no Arctic Monkeys, que ganhou uma legião de fãs centenários no ano passado. Enfim.

http://www.youtube.com/watch?v=mpaPBCBjSVc&ob=av2e

Realmente, no cenário musical norte-americano, dominado pela música eletrônica e em que Lady Gaga se intitula roqueira, algo deve ser feito pelo rock. O que me desagrada profundamente é a postura idiota de paladinos da libertação em prol da boa música que esses caras, apesar de talentosíssimos, assumem. Esculhambar tudo e todos que não fazem música com a mesma visão que eles é um pouco demais pra gente que se diz “mente aberta a novos horizontes e idéias”. Enfim, não tem que gostar de tudo, mas pelo menos reconhecer a qualidade de alguém que tá na estrada há tempos. E eu não falo só do Nickelback (nem gosto assim deles).

O que mais me incomoda mesmo é estender um comentário desse pra cena rock de São Luís. Pessoas que lerem essa matéria vão passar a gostar só e somente da música influenciada pelo Blues “sujo e direto” de Memphis (sem nem saber o que é isso) e esquecer o Jazz de Chicago. Massa de manobra, tem gente que vai se achar o paladino salvador do rock maranhense, fazendo/escutando músicas sem sentido, sem equalização, sem harmonia, sem PORRA NENHUMA e ainda vai sair arrotando “faço/gosto de música independente” , como se uma banda de garagem não fizesse músicas “independentes” de qualquer forma. A influência que cada um segue não importa.

Leitores: escutem música com os ouvidos de VOCÊS! Gostar de algo porque parece inteligente é atestar BURRICE! Pior ainda querer babar o ovo de qualquer barbudo aí. Digam do que gostam e acreditem na qualidade do trabalho que vocês fazem/escutam.

Isso É um desabafo!

Se o rock maranhense continuar com essa postura, só caixão e vela preta mesmo.

Até mais.


Do direito da raiva

Mesmo entre amigos, ser honesto parece ser uma tarefa hercúlea. Em algum outro texto, disse da utilidade da compreensão, empatia e todo o rol de sentimentos altruísticos para o bom convívio com os outros. Pois é, nos últimos tempos, vejo que até isso vai caindo por terra, mas tudo bem. Parafraseando (porque a citação descontextualizada é mais uma paráfrase) Raduan Nassar, só os insensatos servem a um único mestre durante toda a vida. E Freud e Schopenhauer e Nietzche e Sartre e mais uma galera postulam (e exaltam) sobre a mutabilidade da condição, do desejo e do pensamento humano. Enfim, parei esse hábito acadêmico de botar referência em tudo. Só quero aqui falar da evidência apodídica, que é a mutabilidade da condição humana e, claro, fundamentar minhas sandices com grandes nomes da Filosofia Universal e Literatura Nacional.

A minha idéia é a respeito dos relacionamentos, de qualquer tipo. E é geralmente o que mais me perturba. Nem empatia nem compreensão são necessárias e, muito menos, honestidade. Tudo se resume a uma disputa de poder pra ver quem se senta no banco do juiz e quem se senta no banco do réu.

É o direito da raiva: quem pode ter raiva do quê. E, quando se fala em direito, a honestidade nunca é mais importante do que a escolha vocabular e as provas. Em tese, pode-se cometer um crime e sair ileso, se usar as palavras certas no tribunal, se encobrir as provas, ou mesmo ficar calado. Se colar, colou. E se nossa integridade não é questionada perante a lei, temos o direito de sentar na cadeira de juiz e punir (ou absolver, que nobre!) o réu que, por algum vacilo, deixou aparecer o crime que muito provavelmente cometemos. Compreensão e empatia aqui aparecem apenas sob a máscara da superioridade de “deixar pra lá”.

Certo, como se os  juízes não fizessem coisas que, se postas num tribunal, os fariam trocar de lugar com o réu.

Tudo se resume ao direito de alguém ter raiva sobre o direito de outro alguém, que por ser “descoberto” primeiro, dá margem para que se reproduza impunemente o mesmo comportamento que o deixou naquela situação miserável.

Vamos pensar se não fazemos, em algum grau, coisas que nos provocariam muita raiva se fossem feitas pelos outros. Sei que é impossível deixar de sentir raiva, pois o sentimento é verdadeiro por si só e não pelos motivos que apresenta. Mas, pelo menos, vamos extravasar sem se sentar na cadeira de juiz idôneo e implacável, que decidirá o destino do pobre réu abaixo (tá mais pra burro. Quem mandou ser honesto?).

O problema é como chegar nisso.