Acho que nós temos uma noção muito errada do que é ser feliz. Nos vendem uma imagem de plenitude constante que não existe. E ao mesmo tempo que queremos emoções novas a todo instante, construímos nossa vida de forma a sempre fazer as mesmas coisas todos os dias – trabalho estável, casamento, filhos, bens duráveis em geral. E isso não é felicidade também, segundo os nossos padrões?
É Complicado se apegar a uma noção evanescente de “exceções”, ou de “perder o fôlego” constantemente, como muito vejo nas redes sociais.
Pra mim, o problema está em nós mesmos, que somos escravos dos nossos pensamentos (ou daqueles pensamentos que nos foram impostos e que internalizamos). Ao semi-investigar a vida das pessoas que postam tais epitáfios de Rimbaud – como eu seria feliz se a vida não fosse a vida!, ou algo assim - nas redes sociais, vejo que a maioria prefere se fechar ao mundo das coisas, se enclausurar no próprio casulo e não escutar mais nada a não ser a própria voz. Vivem de pensar, e não de agir.
E quanto mais se pensa, mais se tem medo de agir, mais a angústia aumenta, mais os monstros interiores da frustração, da raiva, do arrependimento, tomam as rédeas das nossas decisões e, assim, nos vemos impotentes e pequenos frente à vastidão do mar salgado (e tem que ser salgado pra fazer as feridas arderem e se curarem!) que é a vida.
Devemos, então, parar de pensar? Impossível. Porém, não podemos deixar que os pensamentos controlem nossa vida, a ponto de nos deixar alheios à própria realidade. O melhor a se fazer é simplesmente abrir o peito e não deixar de tentar alguma coisa (mesmo a rotina) porque o pensamento fica martelando “não vai dar certo”, na cabeça.
De qualquer forma, se vivermos somente as exceções ou momentos de perder o fôlego, tais momentos se tornam menos reforçadores, pois não há um parâmetro de “dor” para nós compararmos. Ou seja, num mundo sem dor, o mais provável é a procurarmos.
Até mais o/
