Epitáfios de Rimbaud

Acho que nós temos uma noção muito errada do que é ser feliz. Nos vendem uma imagem de plenitude constante que não existe. E ao mesmo tempo que queremos emoções novas a todo instante, construímos nossa vida de forma a sempre fazer as mesmas coisas todos os dias – trabalho estável, casamento, filhos, bens duráveis em geral. E isso não é felicidade também, segundo os nossos padrões?

É Complicado se apegar a uma noção evanescente de “exceções”, ou de “perder o fôlego” constantemente, como muito vejo nas redes sociais.

Pra mim, o problema está em nós mesmos, que somos escravos dos nossos pensamentos (ou daqueles pensamentos que nos foram impostos e que internalizamos). Ao semi-investigar a vida das pessoas que postam tais epitáfios de Rimbaud – como eu seria feliz se a vida não fosse a vida!, ou algo assim - nas redes sociais, vejo que a maioria prefere se fechar ao mundo das coisas, se enclausurar no próprio casulo e não escutar mais nada a não ser a própria voz. Vivem de pensar, e não de agir.

E quanto mais se pensa, mais se tem medo de agir, mais a angústia aumenta, mais os monstros interiores da frustração, da raiva, do arrependimento, tomam as rédeas das nossas decisões e, assim, nos vemos impotentes e pequenos frente à vastidão do mar salgado (e tem que ser salgado pra fazer as feridas arderem e se curarem!) que é a vida.

Devemos, então, parar de pensar? Impossível. Porém, não podemos deixar que os pensamentos controlem nossa vida, a ponto de nos deixar alheios à própria realidade. O melhor a se fazer é simplesmente abrir o peito e não deixar de tentar alguma coisa (mesmo a rotina) porque o pensamento fica martelando “não vai dar certo”, na cabeça.

De qualquer forma, se vivermos somente as exceções ou momentos de perder o fôlego, tais momentos se tornam menos reforçadores, pois não há um parâmetro de “dor” para nós compararmos. Ou seja, num mundo sem dor, o mais provável é a procurarmos.

Até mais o/


Coffin & Black Candle

Post relâmpago e sem revisão, depois de chegar em casa cansado e não poder dormir. Entro no twitter e vejo a seguinte postagem da Rolling Stone Brasil na minha timeline:

http://rollingstone.com.br/edicao/edicao-65/black-keys

A headline no twitter foi “‘Tem de surgir um movimento para o rock voltar’, diz vocalista do Black Keys” – banda indie que conheceu o sucesso em 2010 com o álbum “Brothers”, que foi o primeiro que conheci. O movimento indie-pseudointelectual-metido-a-underground de São Luís vai provavelmente dizer que acompanhava a trajetória da banda desde a garagem, mas devem ter tido contato com as músicas na mesma época que eu, acho. Só pensar no Arctic Monkeys, que ganhou uma legião de fãs centenários no ano passado. Enfim.

http://www.youtube.com/watch?v=mpaPBCBjSVc&ob=av2e

Realmente, no cenário musical norte-americano, dominado pela música eletrônica e em que Lady Gaga se intitula roqueira, algo deve ser feito pelo rock. O que me desagrada profundamente é a postura idiota de paladinos da libertação em prol da boa música que esses caras, apesar de talentosíssimos, assumem. Esculhambar tudo e todos que não fazem música com a mesma visão que eles é um pouco demais pra gente que se diz “mente aberta a novos horizontes e idéias”. Enfim, não tem que gostar de tudo, mas pelo menos reconhecer a qualidade de alguém que tá na estrada há tempos. E eu não falo só do Nickelback (nem gosto assim deles).

O que mais me incomoda mesmo é estender um comentário desse pra cena rock de São Luís. Pessoas que lerem essa matéria vão passar a gostar só e somente da música influenciada pelo Blues “sujo e direto” de Memphis (sem nem saber o que é isso) e esquecer o Jazz de Chicago. Massa de manobra, tem gente que vai se achar o paladino salvador do rock maranhense, fazendo/escutando músicas sem sentido, sem equalização, sem harmonia, sem PORRA NENHUMA e ainda vai sair arrotando “faço/gosto de música independente” , como se uma banda de garagem não fizesse músicas “independentes” de qualquer forma. A influência que cada um segue não importa.

Leitores: escutem música com os ouvidos de VOCÊS! Gostar de algo porque parece inteligente é atestar BURRICE! Pior ainda querer babar o ovo de qualquer barbudo aí. Digam do que gostam e acreditem na qualidade do trabalho que vocês fazem/escutam.

Isso É um desabafo!

Se o rock maranhense continuar com essa postura, só caixão e vela preta mesmo.

Até mais.


Do direito da raiva

Mesmo entre amigos, ser honesto parece ser uma tarefa hercúlea. Em algum outro texto, disse da utilidade da compreensão, empatia e todo o rol de sentimentos altruísticos para o bom convívio com os outros. Pois é, nos últimos tempos, vejo que até isso vai caindo por terra, mas tudo bem. Parafraseando (porque a citação descontextualizada é mais uma paráfrase) Raduan Nassar, só os insensatos servem a um único mestre durante toda a vida. E Freud e Schopenhauer e Nietzche e Sartre e mais uma galera postulam (e exaltam) sobre a mutabilidade da condição, do desejo e do pensamento humano. Enfim, parei esse hábito acadêmico de botar referência em tudo. Só quero aqui falar da evidência apodídica, que é a mutabilidade da condição humana e, claro, fundamentar minhas sandices com grandes nomes da Filosofia Universal e Literatura Nacional.

A minha idéia é a respeito dos relacionamentos, de qualquer tipo. E é geralmente o que mais me perturba. Nem empatia nem compreensão são necessárias e, muito menos, honestidade. Tudo se resume a uma disputa de poder pra ver quem se senta no banco do juiz e quem se senta no banco do réu.

É o direito da raiva: quem pode ter raiva do quê. E, quando se fala em direito, a honestidade nunca é mais importante do que a escolha vocabular e as provas. Em tese, pode-se cometer um crime e sair ileso, se usar as palavras certas no tribunal, se encobrir as provas, ou mesmo ficar calado. Se colar, colou. E se nossa integridade não é questionada perante a lei, temos o direito de sentar na cadeira de juiz e punir (ou absolver, que nobre!) o réu que, por algum vacilo, deixou aparecer o crime que muito provavelmente cometemos. Compreensão e empatia aqui aparecem apenas sob a máscara da superioridade de “deixar pra lá”.

Certo, como se os  juízes não fizessem coisas que, se postas num tribunal, os fariam trocar de lugar com o réu.

Tudo se resume ao direito de alguém ter raiva sobre o direito de outro alguém, que por ser “descoberto” primeiro, dá margem para que se reproduza impunemente o mesmo comportamento que o deixou naquela situação miserável.

Vamos pensar se não fazemos, em algum grau, coisas que nos provocariam muita raiva se fossem feitas pelos outros. Sei que é impossível deixar de sentir raiva, pois o sentimento é verdadeiro por si só e não pelos motivos que apresenta. Mas, pelo menos, vamos extravasar sem se sentar na cadeira de juiz idôneo e implacável, que decidirá o destino do pobre réu abaixo (tá mais pra burro. Quem mandou ser honesto?).

O problema é como chegar nisso.

 


Existencialismo

Será que é simples assim, Hagar?

E aí? Qual vai ser?


Todo dia é ano novo

Ontem estava falando sobre crenças com amigos e conhecidos e escutei, entre risos, a afirmação “fulano não acredita em ano novo.” Como qualquer bêbado, refleti sobre essa pérola e vim deixar minhas conclusões cretinas no blog: eu também não acredito em ano novo. Pelo menos não nesse que acontece de 31 de dezembro pra 1º de janeiro.

O que o tal fulano não conseguia acreditar era dormir em um ano e acordar no outro. Sem comentários a respeito da psique desse indivíduo. O que me leva a desacreditar no ano novo não é nenhum problema com a física ou a astronomia. Não acredito é nessa mística que se bota ao redor do ano novo como um momento de epifania e transformação, como o virar de uma página ou o fim de um ciclo.

Me pergunto: por que tudo necessariamente tem que acabar em 31 de dezembro? Qual a diferença entre o eu de 31 de dezembro e o eu de ressaca de 1º de janeiro (além da ressaca)? Pra mim, o povo passa o ano novo de branco pro próximo ano passar em branco também. Se uma promessa já é uma coisa complicada de se cumprir, uma promessa feita sob a pressão da contagem regressiva vai ser cumprida? Lógico que não. É como confessar qualquer coisa amarrado e amordaçado, com um cano colado na cabeça.

O que eu tô tentando dizer aqui é: todo dia é dia de ano novo. O despertar, o fim de um ciclo e o início de outro quase nunca começa meia-noite. Uma decepção, a partida de uma pessoa que nos é cara, um abraço, um beijo (não o beijo da virada, tenha dó), uma lágrima, uma revelação (“Luke, sou seu pai”) são coisas que REALMENTE podem significar o virar de uma página ou o abrir de outro caminho. E essas coisas, cherie , dificilmente vão acontecer numa festa onde todo mundo tá preocupado é em ficar doidão.

Enfim, voilá minha tentativa de texto para refletir.

Em 2011, desejo “felizes anos novos” a todos.


Doppëlganger Love

Neste domingo – o mais entediante do ano – passei o dia matutando sobre o fim recente do meu último namoro e sobre uma série de coisas que ouvi, dos outros e de mim mesmo, nessa última semana.

Então um pensamento meio que engraçado me ocorreu: muita gente chama o seu ex-qualquer-coisa de “falecido”, “defunto” e variações porque é verdade: ele(a) morreu. Antes de me chamar de capitão-óbvio (é CLARO que vocês sabem que é uma expressão no sentido figurado), pelo menos me deixem expor meus motivos.

Quando disse que o(a) ex-qualquer-coisa morreu, estou falando sério. Morreu MESMO. Não existe mais – pelo menos na cabeça do enamorado, que é o que importa. É muito comum uma pessoa “matar” seu/sua ex-qualquer-coisa quando se cai numa das mais clássicas armadilhas do amor: chamarei de paixão imaginária ou especular por falta de definição melhor já que toda paixão é, bem ou mal, imaginária ou, pelo menos, especular. Que seja.

A paixão imaginária ou especular é quando se julga a outra pessoa do relacionamento não por quem ela é, mas por quem você a toma. Na verdade, a pessoa não é assim, você a toma por um ideal e a põe em um altar de perfeição. Como sabemos, os ideais são elaborações mentais ou, simplesmente, imaginação. Especular porque esse ideal imaginário nada mais é do que a imagem do nosso amor refletida no espelho. Não se ama a pessoa e sim o próprio ideal de amor. Claro que em todo relacionamento afetivo idealizações (poucas) são necessárias e até saudáveis para se manter o estado de transe que conhecemos por paixão. O problema é levar isso ao extremo.

A morte desse ideal de amor na figura daquela pessoa significa, portanto, a morte da própria pessoa. Se, na realidade, essa pessoa nunca existiu, na cabeça do enamorado ela simplesmente morreu. E aí é que vem o sofrimento maior: o ideal morre, a pessoa morre, mas a figura não morre. Com isso, o coração do enamorado é fulminado pela presença desse Doppëlganger contrariando seus ideais na sua própria imagem.

Nesse ponto o enamorado, certo da morte do seu par, tem que lidar com a presença desse misto de zumbi com sósia que só serve mesmo pra deixar as coisas mais confusas e dolorosas. Daí a necessidade de confessar crimes passionais diariamente – dizer o tempo todo que “fulano(a) morreu” -, transformando não só o ideal, mas todos os doppëlgangers em defuntos.


Psicologia do Amor: elevadores, pontes e redes

No meio de um dia deveras interessante envolvendo filas, filas e mais filas, tive que subir e descer no elevador do Monumental Shopping, junto com 5 ou 6 desconhecidos, pelo menos 2 vezes. Experiência interessante para uma mente vazia e que se permite alguns pensamentos insanos.

O que me chamou a atenção foi perceber o nosso medo de se relacionar. E esse medo emocional é tão grande, que chega a ser somatizado. Portanto, um elevador com pessoas desconhecidas é uma experiência extremamente claustrofóbica, intensificada pela sensação de náusea – o famoso “friozinho na barriga” – causado pelo elevador – principalmente quando é velho – no seu movimento de sobe-desce.

Me ocorreu então que todos poderiam pensar a mesma coisa: “Esse elevador pode despencar, eu vou morrer e essas podem ser as últimas pessoas que vou ver na vida”. Sob esta perspectiva, inevitavelmente as pessoas tornam-se mais interessantes. Daí a claustrofobia: não podemos olhar pros nossos companheiros de viagem por vergonha (ou medo) e ficamos torcendo pra não morrer enquanto olhamos para os nossos pés. A única brecha que encontramos para levantar a cabeça é quando a porta do elevador se abre e qualquer um entra ou sai.

Enfim, onde entra a psicologia do amor? Aqui entramos na parte viajante e pseudocientífica, porém plausível, da história: o efeito da ponte suspensa. Tal efeito aconteceria quando uma pessoa atravessa uma ponte olhando para outra do sexo oposto (ou não) e se apaixona. Como? Simples pareamento de estímulos: a aceleração das batidas do coração causada pelo medo de cair da ponte é associada à visão daquela pessoa, causando o que chamamos de paixão. Provavelmente o “friozinho na barriga” do elevador causaria efeito semelhante.

Será possível alguém achar o amor da sua vida em um elevador?

Nesse ponto me lembrei daqueles que gostam de aventuras sexuais: elevadores, beira da praia, paradas de ônibus, banheiros do CCH, corredores de prédios residenciais, mirante da lagoa, em pé na rede, enfim. O gosto por essas aventuras pode ser explicado pelo efeito da ponte suspensa: a situação perigosa faz com o que o coração palpite ainda mais e o sentimento de paixão se intensifique.

A menos que alguém veja, ou que você acabe preso por atentado ao pudor, vejo tais aventuras como extremamente saudáveis para um relacionamento apaixonado e feliz. Casais, para o seu bem, façam seus corações baterem descompassados e acelerados.

E mais importante: façam sexo em pé na rede. Ou morram tentando.

Texto de minha autoria extraído do blog Nerdshots, para o qual eu escrevia até o primeiro semestre desse ano.


Yeah, yeah, yeah! Life’s a bitch!

As peças que a cabeça nos prega são impressionantes. Há algum tempo venho me perguntando qual o sentido da compreensão, compaixão, empatia e todo o rol de sentimentos nobres e indispensáveis para um bom convívio com as outras pessoas. Só com as outras, porque isso torna impossível a convivência conosco mesmos.

Enfim, a utilidade disso tudo é satisfazer um narcisismo altruísta – na verdade tá mais pra masoquismo altruísta, mas tudo bem. É um tipo de síndrome de mártir, onde a nossa satisfação vem da possibilidade de recebermos um agradecimento ou mesmo pena das pessoas que nos vêem dando uma de coitado.

Mas essa recompensa é uma merda. Pode crer.

Diante dessa situação, viver consigo mesmo se torna tão ridículo que chega a ser insuportável. Vira-se um viciado em alívio. Isso mesmo, alívio é uma droga. Não sei como diabos a psique on acid faz essa maldita operação onde na falta da alegria o alívio entra como substituto da serotonina nesse cérebro flex power. Um “eu também” forçado, ou um “eu entendo” ou um “não sei de onde tu tira força” faz a autoestima subir um pouco. Dá pra se sentir espiritualmente superior e transcendental.

É, mas por mais que se deixe o cabelo e a barba crescer, e se carregue três ou quatro cruzes e se leve umas quinhentas chibatadas, um culto NÃO será aberto em seu nome, os bardos não cantarão sua história e os reis não se curvarão ante a sua presença. O que acontece é que a dose de depreciação pré-alívio tem que ser cada vez maior e a dose compensa cada vez menos. O furo da injeção continua doendo mesmo depois que o bagulho entra no corpo, mas se faz assim mesmo.

Melhor ainda é ver seus traficantes de alívio virarem as costas, porque a dose que você precisa, você não pode pagar com essa depreciação barata. Então é necessário ir ainda mais fundo no poço pra tentar achar “um pouco de prazer pra enfrentar a vida sem brincar com a morte”. Mas isso por si só já é uma brincadeira com a morte: a morte das cores e da emoção.

Onde é que fica a casa verde?

 


Filosofias do Mestre Galinha – Teto

No caminho de volta para casa, olho as crianças da minha rua brincando. São 5 crianças: três de 9 anos, uma de mais ou menos 11 e outra de 17. Peraí, dezessete? Sim, dezessete. Essa menina possui uma síndrome de sei-lá-o-quê bem rara (não é Down) e por isso sua idade mental é bem atrasada. Não sei nem se vai amadurecer um dia, já que ela está do mesmo jeito desde que a vi no seu aniversário de 15 anos.

Nesse momento, fiquei imaginando qual era o grande fator que separava a minha linha de pensamento – supostamente sóbria, adulta, séria e condizente com a minha idade – da dela – que por uma infelicidade genética, pode agir como uma menina de 12 anos ou menos.

Então me lembrei do Mestre Galinha, um personagem de Shaman King (mangá baseado na filosofia do zen) que ganhou esse nome ridículo graças à tradução para o português: “A chegada da vida adulta é marcada pela percepção do nosso teto, uma barreira que simboliza o limite das nossas capacidades. A cada dia que passa, vemos o teto se aproximar mais e mais a ponto de repararmos em suas manchas e sujeiras.” A partir desse ponto, não se pode mais entrar no jogo sem garantia de, pelo menos, um prêmio de consolação. Começamos a recusar todas as oportunidades que extrapolem esse teto simplesmente por medo de se desligar de nossas parcas conquistas adquiridas até agora (nosso teto sujo e cheio de rachaduras) e sair para a rua.

Medo. Eis o principal fator da diferença entre o meu pensamento (ou o que esperam que eu pense) e o dela. Também é o sentimento que abre as portas para a vida adulta e para, consequentemente, a construção às pressas de um teto. A apreensão diante das várias possibilidades que a vida apresenta nos faz abdicar de várias potencialidades e desejos para abraçarmos um caminho no qual já sabemos mais ou menos a distância (curta) que vamos percorrer e os buracos (rasos) que vamos enfrentar. Afinal de contas, esse caminho já foi por demais trilhado por nossos pais e amigos. Um tutorial de “como vencer (leia-se: bens materiais vindos de um trabalho de remuneração sempre insuficiente) na vida” é a coisa mais fácil de se obter e de se seguir.

Agora fico pensando em tudo o que eu queria ser e saber na minha adolescência: ser desenhista, saber tocar violão/guitarra, queria ler mais livros legais, ver mais filmes, jogar mais jogos, mais bola na praia, poder me encontrar com quem tenho saudade pra bater perna por aí sem me preocupar com a hora de voltar pra casa, nem com o dia da semana.

Mas aqui estou eu, ouvindo o Pain of Salvation cantar com a minha voz “maybe I’m not that tough”, precisando entregar meu TCC para o curso de Letras, senão sou jubilado. E lá vamos nós para o medo de novo. Olho para os nós dos meus dedos. Feridos de bater num saco de areia, que bem poderia ser o teto que tento destruir, ao mesmo tempo que o construo, ouvindo “Eye of the Tiger”.


Indiferença

“O pior castigo é a indiferença”. Escutei isso de uma semiconhecida há algumas semanas numa conversa na cantina da faculdade. Obviamente concordei, afinal nunca estive em uma situação onde “a diferença” fizesse me sentir tão mal.

Quando ela veio, nunca quis tanto que alguém fosse indiferente. Anteriormente, me tirava o sono o pensamento de que eu não era necessário. Mas a responsabilidade de “estragar”, de “ser uma voz de assombração”, de “espelhar” o desespero de quem eu amo, é muito pior que ser desnecessário.

O sadismo vai ter que esperar. Não consigo provocar essa dor. De agora em diante, só quero ser responsável por coisas boas ou feridas leves. De outra maneira, a culpa me tiraria o sono.


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